Crítica – Ta rindo do quê ?
Ta rindo do quê? é a nova comédia de Judd Apatow(Ligeiramente Grávidos) que traz Adam Sandler(Um faz de conta que acontece; Zohan) e Seth Rogen( um segurança fora de controle; Segurando as pontas)juntos pela primeira vez . O filme conta a história de George Simmons( Adam Sandler), comediante de sucesso que após descobrir ter uma doença rara toma algumas atitudes antes de morrer e tem o comediante iniciante Ira Wright (Seth Rogen) como seu ajudante neste período. O filme mostra o que vem acontecendo com as produções de comédia, a presença de Adam Sandler vem diminuindo e dando lugar ao jovem Seth Rogen que hoje parece estar em 9 entre 10 filmes. Mostra ainda alguns detalhes dos bastidores do stand up comedy como os comediantes escrevendo e testando novas piadas, comentários sobre o inicio de carreira grátis e a cobertura de grandes eventos onde recebem bastante dinheiro. O stand up é um gênero muito popular nos EUA e que tem crescido muito por aqui nos últimos anos, é interessante ver assim algumas diferenças na estrutura norte americana e a nossa.

Funny People no original mostra um Adam Sandler decadente, zombandode sua própria situação, talvez isso tenha feito o filme ser lançado direto em DVD por aqui devido ao publico estar acostumado com um Sandler mais bobo, mas é esse lado dramático de Sandler que raramente vemos que faz alguns trechos do filme incrível. Outro ponto que flui muito bem é a interação entre Sandler e Rogen, a cena de Ira fazendo uma seleção de musicas para animar George é muito boa.
Funny people seria um filme sobre um Sandler sombrio, sobre a nova geração do humor sobre a historia de que por trás da maquiagem o palhaço é triste e desse jeito seria um bom filme mas ele dura meia hora a mais e desanda. O filme poderia acabar com o médico perguntando sobre seu sotaque ou na festa de George Simmons após Eminem zombar de Ray Romano e teríamos um outro filme. Na parte final do filme George resolve ir atrás da mulher que amava, que agora esta casada e com duas filhas. Essa solução não seria de todo ruim mas não deveria ser tão longa. O final verdadeiro é até bom mas até lá todos já estão cansados demais.
Hollywood 70
Nos anos 70 o cinema norte americano estava em crise (mais uma pra variar), os estúdios acostumados em realizar musicais caros começaram a ver o esvaziamento de publico interessado nesses filmes. A solução neste caso foi dar oportunidade para alguns jovens cineastas recém saído da faculdade e sedentos para alguém bancar as suas produções. O resultado foi uma das melhores épocas produtivas de Hollywood conhecida como década dos diretores, recolocou as economias dos estúdios nos eixos e aclamou a carreira dos jovens desconhecidos como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, George Lucas, John Cassavetes, Steven Spielberg.
Muitos dos filmes do período podem ser vistos na Mostra Hollywood 70 que o Instituto Moreira Sales exibe a partir de 15 de Janeiro até 12 de Fevereiro. A mostra exibe filmes hoje considerados clássicos modernos que raramente passam em redes de TV e as vezes difícil de encontrar até em DVD. Cada sessão tem ingresso a 10$ (inteira). Algumas sessões serão acompanhadas de debates, com entrada franca.
Mais informações e programação completa no site.
Cinema – Hollywood / 70 – IMS-RJ 10$ Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea – Rio de Janeiro-RJ Tel.: 21 3284-7400A peça Escocesa
O diretor Aderbal Freire Filho trará aos palcos cariocas uma nova montagem de William Shakespeare. Após o aclamado trabalho de Hamlet tendo Wagner Moura no papel principal, agora é a vez da montagem da maldita peça MacBeth com Daniel Dantas e Renata Sorrah nos papéis de Macbeth e Lady Macbeth.
Daniel Dantas além de protagonista faz sua estréia como produtor da peça que conta a história de um general que ao voltar de uma guerra ouve a profecia de que será rei e que seu companheiro de batalha Banquo será pai de reis. MacBeth ascende ao trono atormentado com a profecia de que Banquo terá um filho rei, é então induzido pela mulher Lady Macbeth a assassinar Banquo. Aumentam assim os tormentos e temores do personagem nesta tragédia de Shakespeare sobre ambição poder desejo e culpa.
O espetáculo estréia dia 15 de Janeiro e vai até 28 de Março no teatro Espaço Tom Jobim, dentro do Jardim Botânico, e provavelmente será um dos destaques teatrais do ano de 2010. Nos dias 8, 9 e 10 haverá ensaio aberto a 10$ uma boa oportunidade para o público apreciar a peça e verificar como está a montagem já que quando estrear custará 60$ a inteira.
Macbeth – 60$ (inteira) / 30$ (meia) Rua Jardim Botânico, 1.008 – Jardim Botânico Sexta e Sábado – 20h30 Domingo – 20h
em Tempo, Melamed
O multiartista Michel Melamed vai estar hoje as 18h 30min no Oi Futuro do Flamengo, fazendo intervenções dos espatáculos que formam a Trilogia Brasileira. No encontro Melamed fará reflexões sobre as peças Regurgitofagia, Dinheiro Grátis, Homemusica e Anti-Dinheiro Grátis.
O encontro acontece dentro do Festival de Artes Tempo, novo nome do Festival Internacional de Artes Cênicas do Rio de Janeiro. O festival divide-se em duas partes, esse mês de Dezembro fazendo reflexões e discussões sobre as artes e em Abril mais voltado para apresentações. O evento é grátis e senhas começam a ser distribuídas meia hora antes. Para conferir outras atrações do festival veja a programação no site.
Tempo – Festival das Artes – grátis. Oi futuro Flamengo. Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo – Rio de Janeiro
Sonho de Outono a 6$
A peça Sonho de Outono de Jon Fosse está de volta ao Rio para temporada popular. Os ingressos custarão 6$ e toda a renda será revertida para o Palco Social, instituição formadora de público e profissionais de teatro.
Sinopse: A montagem investiga as relações — ou a falta delas — entre um homem, seus pais e duas mulheres, a partir de diversas situações vividas num cemitério. Em cena, um homem (Adriano Garib) reencontra uma mulher de seu passado (Christiana Kalache) no enterro da avó, quando também revê seus pais (Camilla Amado e Zemanuel Piñero) e a ex-mulher (Daniele do Rosário). Sem respeitar a linearidade, as não diferenciam passado, presente e futuro.
Apesar da critica à peça não ter sido muito favorável, mais por causa do texto de Jon Fosse (frio, distante e repetitivo) do que pela montagem em si, a peça tem belo cenário, ótimos figurinos, uma atuação trabalhada e direção de Emilio de Mello. É uma oportunidade rara ver uma peça a 6$ e merece uma atenção do publico.
Sonho de Outono – 6$ Até 20 de Dezembro – Quinta, Sexta, Sábado e Domingo Teatro Nelson Rodrigues Av. República do Chile, 230 Centro. Rio de Janeiro
O Lado Sombrio da Alma
A Caixa Cultural exibe até o dia 20 de Dezembro a Mostra “David Lynch – O Lado Sombrio da Alma” com curadoria de Mario Abbade, o evento é o mais completo sobre o artista no país. A mostra exibirá cerca de 40 filmes relacionados a Lynch, dirigindo atuando, produzindo. É a oportunidade de ver filmes de toda carreira de David Lynch, alguns inéditos no Brasil, entre as obras longas metragens, curtas, séries de TV, documentários e comerciais.
O objetivo inicial da mostra era exibir todas as produções listadas na pagina de Lynch no IMDB, acabou sendo ampliado com inserções de filmes que influenciaram o diretor, como O mágico de Oz, de Victor Fleming; Um cão andaluz – A idade do ouro, de Luis Buñuel e Salvador Dali; A estrada da vida, de Federico Fellini; e O iluminado, de Stanley Kubrick.
Há também na programação a exibição dos filmes de sua filha Jennifer Lynch, do piloto da série de TV twin peak, e os clássicos de sua carreira como O homem elefante (1980); Coração selvagem (1990) filme que ganhou a palma de ouro em Cannes; Cidade dos sonhos (2001); e Império dos sonhos (2006).
Além de ser a maior mostra é também a mais detalhista. Nos intervalos das sessões num espaço ao lado dos cinemas será servido para quem tiver o ingresso, um café orgânico produzido pela empresa de David Lynch. No dia 15 haverá um debate com José Wilker, Fernando Ceylão e Mario Abbade, na ocasião será servida gratuitamente uma complicada torta de cereja feita com a mesma receita da torta que o agente Cooper comia na série Twin peaks.
Só faltou uma vinda de Lynch para participar da festa, mas David Lynch irá falar um pouco de sua obra na exibição do programa de TV Scene by Scene onde o diretor comenta cenas de seus filmes e revela dados de como ele usa elementos representativos como a aparição de um cachorro é prenuncio de um grande acontecimento.
David Lynch – O Lado Sombrio da Alma Caixa Cultural – Av. Almirante Barroso 25, Centro. Rio de Janeiro Até 20 de Dezembro - Terça a Domingo – sessões as 17h e 19h Consulte programação.
Mandrake
Desde que o escritor Rubem Fonseca fechou contrato este ano com a editora Agir, após quase 20 anos na Cia. das letras, o objetivo da editora é dar uma modernizada na obra do autor. Foi assim que dias antes do lançamento de seu livro “O Seminarista”, Fonseca apareceu em um vídeo no youtube lendo uma parte do texto. Querendo relançar 2 livros a cada 2 meses a editora prometia material extra para além de atrair novos leitores fazer os habituais recomprarem sua coleção. Foi anunciado até uma graphic novel baseado em algum livro do autor.
Surge agora como será a adaptação das histórias para quadrinhos. O personagem Mandrake, advogado criminal presente em livros como Mandrake, a Bíblia e a Bengala e A Grande Arte será o primeiro a ser transformado em HQ. A Agir junto com a Desiderata estão lançando um concurso para escolher a cara do Mandrake e quadrinistas de todo Brasil podem participar mandando sua versão do personagem pelo site.
A Agir juntamente com Rubem Fonseca escolherá o vencedor que vai assinar um contrato para produzir uma graphic novel recebendo 3% de direitos autorais sobre o preço de capa e pode ainda ter seu contrato prorrogado para outras obras do mesmo autor. A editora comentou que a intenção é primeiramente adaptar as historias já escritas por Fonseca e depois criar novos roteiros.
Assim Mandrake chega as HQs após incursões pelo cinema Lucia McCartney de David Neves (1971); A Grande Arte de Walter Salles Jr. (1991); na série de tv interpretado por Marcos Palmeira e exibido na HBO; e nos livros de Rubem Fonseca onde surgiu.
Teatro com preço curto
Está no ar o sétimo ano da campanha Teatro para todos, peças espalhadas pelo Rio de Janeiro com ingresso entre 5$ e 25$. Um bom motivo pra ir ao teatro e ver aquela peça que tinha o preço muito alto. Até o dia 20 de dezembro serão disponibilizados 102 mil ingressos para 68 espetáculos como Hair Spray, Lula contra o Mau, Adorável Desgraçada, Nós na fita entre outros que podem ser conferidos aqui.
Os ingressos promocionais podem ser adquiridos no quiosque fixo da campanha, instalado na Cinelândia, no quiosque volante, que irá percorrer diversos bairros da cidade, pelo site www.ingresso.com, postos Petrobrás credenciados, Posto Shell (São Bento, Niterói) e Lojas Americanas e Americanas Express.
Somente o quiosque fixo na Cinelândia e o volante não sofrem taxa de conveniência, demais locais de 10% a 15%. Não serão aceitos outros tipos de descontos. São liberados para venda ingressos para espetáculos da mesma semana.
Maiores informações no site da campanha
Crítica – O controle dos zumbis

Truque de Zumbi
Feito de forma despretensiosa como um trabalho de conclusão do curso de cinema da FAAP, O Controle dos Zumbis ultrapassa a barreira da despretensão e torna-se um ótimo filme de zumbi, critico e moderno. Filmes deste gênero no Brasil são raros, e poderíamos esperar um filme de baixa-qualidade devido a esta escassez brasileira, no entanto é destacável a direção de arte de Mariana Godoy Reis que criou um zumbi bem detalhado, digno de elogios de George Romero. A cena de Oswaldo bebendo cerveja é ótima e impecável.
O curta do diretor e roteirista Gabriel Andrade Narcimbem Marzinotto, que sempre admirou filmes de zumbis, mostra uma família que ao se mudar para uma casa acaba acidentalmente libertando um morto-vivo que estava no porão embaixo da sala de tv. Oswaldo, Paulo Goya, é o zumbi desperto que se encanta pela tv a cabo, o sentido da vida segundo ele. O personagem morto-vivo mostra a opinião de gerações passadas e critica os costumes das mulheres da casa, mostrando que na época dele de vivo seria diferente. O zumbi e o pai da família, Antonio Destro em ótima atuação, criam uma amizade e uma cumplicidade devido ao objeto de desejo comum, a televisão.
Não é a toa que o filme possui varias referencias ao seriado Os Simpsons, como a Buff Beer, assim como o desenho O Controle dos Zumbis faz uma critica cômica aos costumes da sociedade. Mostra a relação de homens e mulheres com a televisão e faz piadas com os estilos de programas. Certa hora quando os dois novos melhores amigos estão assistindo um filme de zumbi o homem comenta “Nunca entendi porque nesses filmes os zumbis são sempre idiotas” no que Oswaldo responde brilhantemente “Na vida 90% das pessoas que conheci eram idiotas não é estranho que quando mortas elas permaneçam idiotas”. Um filme divertido, irônico, crítico e necessário.
Crítica – Laurita + Anna
As mulheres com sua beleza, seus desejos suas angustias sempre fascinaram o cinema. Atualmente vemos multiplicarem-se os exemplos de retratos femininos da adolescência e suas complexidades. Encontramos aqui dois filmes que ao retratarem adolescentes e suas aflições dialogam entre si. Não imaginaríamos que o curta brasileiro Laurita pudesse estabelecer alguma conexão com o dinamarquês Anna, mas as personagens em meio as suas crises, geram em nós uma empatia com suas histórias e a percepção que vencida as crises a vida será diferente daí em diante.
Já é uma mocinha.
No curta Laurita, filme de estréia do diretor Roney Freitas, conhecemos Laura, Helena Gullo, uma menina com seus 11 anos e que está crescendo, deixando algumas brincadeiras de lado e se tornando mulher. Assustada com as mudanças de seu corpo e atormentada pela “Monga”, aquele atração meio circense de parques pequenos que traz uma mulher que se transforma em gorila ao vivo. Se já não bastasse tão difícil fase de sua vida Laura está na casa de verão de sua família com todas as tias e primas lembrando a todo hora que agora ela já é uma moça, já ta crescida. Que terrível hora para crescer.
Com cabelo crescendo em lugares onde antes não imaginava Laura tem um certo fascínio pela tia Cintia que devido a uma quimioterapia está sem cabelo, uma interação mal resolvida, talvez esse seja o ponto fraco da trama. A casa cheia de gente e bagunçada é totalmente necessária e verídica mas acaba produzindo cenas um pouco confusas.
Roney Freitas nos traz a memória não só as nossas histórias com a adolescência e as mudanças que acontecem no nosso corpo e em nossa vida mas também nossas lembranças sobre as desventuras em família e como hoje conseguimos rir disso tudo assim como um dia Laura fará.
Uma prima a incomoda com uma história de um suposto beijo com a boca cheia de chocolate que recebeu de um primo mais velho. Laura vai ao quarto do primo, também gostaria do beijo, escolhe ter apenas o chocolate. Talvez se pudesse escolher voltaria o tempo para uma fase menos confusa, é esse o desejo que Laura faz com o cílio no dedo querendo preservar a infância que tão depressa parece fugir dela.
Revolta e fragilidade
Anna, a personagem titulo deste filme é uma menina de 12 anos que mora com a mãe, Petrine Agger, após o pai ter abandonado-as. A menina interpretada pela atriz Marie Hammer Boda tem uma suavidade aparente e um semblante frágil. Passa os dias transitando com o amigo Ole, Daniel Stampe, e vai usualmente ao barco que era de seu pai onde faz uma drenagem para o barco não afundar. Fato repreendido por sua mãe constantemente. Após a operação no barco ela pega uma espingarda que fica escondida na embarcação e vai para a beira da praia atirar em algumas garrafas, assim começa a se desfazer das aparências de fragilidade que se formavam em nossa cabeça, as cenas desta desconstrução são bastante interessantes.
O diretor Runar Rúnarsson inova ao tratar esta revolta em contraste à fragilidade da menina. As atuações são bem trabalhadas e integram bem o ritmo do filme.
Às vezes é espantoso vermos Anna em discussões com sua mãe em um tom rude e falado em dinamarquês, um idioma que soa tão abrupto para nós, só reforça isso. Anna em crise, cada vez se revolta mais e sem perceber acaba afastando sua mãe e seu amigo.
Seria um ótimo filme se não fosse os seus longos 36 minutos. È tempo suficiente para se apaixonar por Anna e se desapegar totalmente do filme. Ta certo que é preciso tempo para que a menina consiga entender suas perturbações e propiciar uma virada mas isso poderia ser sugerido de outras formas. O barco passa a servir de metáfora para o próprio filme, se não tirar o excesso pode afundar. E afunda, é uma pena.







