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Crítica – O controle dos zumbis

Truque de Zumbi
Feito de forma despretensiosa como um trabalho de conclusão do curso de cinema da FAAP, O Controle dos Zumbis ultrapassa a barreira da despretensão e torna-se um ótimo filme de zumbi, critico e moderno. Filmes deste gênero no Brasil são raros, e poderíamos esperar um filme de baixa-qualidade devido a esta escassez brasileira, no entanto é destacável a direção de arte de Mariana Godoy Reis que criou um zumbi bem detalhado, digno de elogios de George Romero. A cena de Oswaldo bebendo cerveja é ótima e impecável.
O curta do diretor e roteirista Gabriel Andrade Narcimbem Marzinotto, que sempre admirou filmes de zumbis, mostra uma família que ao se mudar para uma casa acaba acidentalmente libertando um morto-vivo que estava no porão embaixo da sala de tv. Oswaldo, Paulo Goya, é o zumbi desperto que se encanta pela tv a cabo, o sentido da vida segundo ele. O personagem morto-vivo mostra a opinião de gerações passadas e critica os costumes das mulheres da casa, mostrando que na época dele de vivo seria diferente. O zumbi e o pai da família, Antonio Destro em ótima atuação, criam uma amizade e uma cumplicidade devido ao objeto de desejo comum, a televisão.
Não é a toa que o filme possui varias referencias ao seriado Os Simpsons, como a Buff Beer, assim como o desenho O Controle dos Zumbis faz uma critica cômica aos costumes da sociedade. Mostra a relação de homens e mulheres com a televisão e faz piadas com os estilos de programas. Certa hora quando os dois novos melhores amigos estão assistindo um filme de zumbi o homem comenta “Nunca entendi porque nesses filmes os zumbis são sempre idiotas” no que Oswaldo responde brilhantemente “Na vida 90% das pessoas que conheci eram idiotas não é estranho que quando mortas elas permaneçam idiotas”. Um filme divertido, irônico, crítico e necessário.
Crítica – Laurita + Anna
As mulheres com sua beleza, seus desejos suas angustias sempre fascinaram o cinema. Atualmente vemos multiplicarem-se os exemplos de retratos femininos da adolescência e suas complexidades. Encontramos aqui dois filmes que ao retratarem adolescentes e suas aflições dialogam entre si. Não imaginaríamos que o curta brasileiro Laurita pudesse estabelecer alguma conexão com o dinamarquês Anna, mas as personagens em meio as suas crises, geram em nós uma empatia com suas histórias e a percepção que vencida as crises a vida será diferente daí em diante.
Já é uma mocinha.
No curta Laurita, filme de estréia do diretor Roney Freitas, conhecemos Laura, Helena Gullo, uma menina com seus 11 anos e que está crescendo, deixando algumas brincadeiras de lado e se tornando mulher. Assustada com as mudanças de seu corpo e atormentada pela “Monga”, aquele atração meio circense de parques pequenos que traz uma mulher que se transforma em gorila ao vivo. Se já não bastasse tão difícil fase de sua vida Laura está na casa de verão de sua família com todas as tias e primas lembrando a todo hora que agora ela já é uma moça, já ta crescida. Que terrível hora para crescer.
Com cabelo crescendo em lugares onde antes não imaginava Laura tem um certo fascínio pela tia Cintia que devido a uma quimioterapia está sem cabelo, uma interação mal resolvida, talvez esse seja o ponto fraco da trama. A casa cheia de gente e bagunçada é totalmente necessária e verídica mas acaba produzindo cenas um pouco confusas.
Roney Freitas nos traz a memória não só as nossas histórias com a adolescência e as mudanças que acontecem no nosso corpo e em nossa vida mas também nossas lembranças sobre as desventuras em família e como hoje conseguimos rir disso tudo assim como um dia Laura fará.
Uma prima a incomoda com uma história de um suposto beijo com a boca cheia de chocolate que recebeu de um primo mais velho. Laura vai ao quarto do primo, também gostaria do beijo, escolhe ter apenas o chocolate. Talvez se pudesse escolher voltaria o tempo para uma fase menos confusa, é esse o desejo que Laura faz com o cílio no dedo querendo preservar a infância que tão depressa parece fugir dela.
Revolta e fragilidade
Anna, a personagem titulo deste filme é uma menina de 12 anos que mora com a mãe, Petrine Agger, após o pai ter abandonado-as. A menina interpretada pela atriz Marie Hammer Boda tem uma suavidade aparente e um semblante frágil. Passa os dias transitando com o amigo Ole, Daniel Stampe, e vai usualmente ao barco que era de seu pai onde faz uma drenagem para o barco não afundar. Fato repreendido por sua mãe constantemente. Após a operação no barco ela pega uma espingarda que fica escondida na embarcação e vai para a beira da praia atirar em algumas garrafas, assim começa a se desfazer das aparências de fragilidade que se formavam em nossa cabeça, as cenas desta desconstrução são bastante interessantes.
O diretor Runar Rúnarsson inova ao tratar esta revolta em contraste à fragilidade da menina. As atuações são bem trabalhadas e integram bem o ritmo do filme.
Às vezes é espantoso vermos Anna em discussões com sua mãe em um tom rude e falado em dinamarquês, um idioma que soa tão abrupto para nós, só reforça isso. Anna em crise, cada vez se revolta mais e sem perceber acaba afastando sua mãe e seu amigo.
Seria um ótimo filme se não fosse os seus longos 36 minutos. È tempo suficiente para se apaixonar por Anna e se desapegar totalmente do filme. Ta certo que é preciso tempo para que a menina consiga entender suas perturbações e propiciar uma virada mas isso poderia ser sugerido de outras formas. O barco passa a servir de metáfora para o próprio filme, se não tirar o excesso pode afundar. E afunda, é uma pena.
Crítica – Corredores de Verão
![7023[1] 7023[1]](http://altavertigem.files.wordpress.com/2009/11/70231.jpg?w=604)
Corredores de Verão, filme do Uruguai de 2009 dirigido por Letícia Jorge e Ana Guevara mostra a história comum de três amigos adolescentes interpretados por Victória Verdié, Felipe Gil e Rodrigo Arcos.
É sensível a disputa entre os dois rapazes para conquistar a garota, esse embate é ressaltado através de esportes onde os dois competem, o basquete, a corrida, fazendo um belo paralelo da competição esportiva e da competição real entre os dois. É claro que qualquer que seja a escolha da garota fará que não apenas os dois rapazes se distanciem mas que a amizade dos três seja abalada.
O filme tem uma boa fotografia, suas cenas são todas noturnas mas são bem nítidas, há ótimos planos como a da cesta de basquete e da escadaria.
Pena o filme estar escondido dentro de uma mostra pouco privilegiada, e não ser reprisado dentro da competição internacional.
Não há falas na história, os momentos vão sendo evidenciados através de outros sons, como o miado de um gato, a revolta do rapaz quebrando garrafas, ou a gargalhada entre amigos mas isso não altera o que os personagens tem a dizer, de fato só torna o curta mais bonito. Afinal para quê estragar tudo com palavras. É a vida.
Cinema para todos

Ta rolando no Rio o Festival Internacional de Curtas até o proximo dia 8.
São cerca de 200 filmes espalhados entre 27 mostras, todos de graça. Ainda da tempo de ver muitos curtas . As sessões acontecem diariamente no Odeon, na Caixa Cultural e no Ponto Cine.
A mostra competitiva Internacional passa no Odeon as 17.30h e a Competitiva Nacional as 14.30h na Caixa Cultural e 19.30h no Odeon seguido de debate com os diretores.
Alem dessas ainda é possivel acompanhar sessões com os lançamentos cariocas, a cena cearense, foco França, indigenas, jovem, infantil entre outras mostras paralelas.
Mais informação no site Curtacinema.
Criticas de alguns filmes estão sendo publicadas no blog do festival. Tem alguns textos meus lá também. Publicarei por aqui
